sábado, 14 de abril de 2007

Adquirindo Sua Guitarra 2 - Stratocaster ou Les Paul?


Ok. Você agora já tem uma noção das características GERAIS do que normalmente vem numa guitarra (veja o post imediatamente abaixo). Obviamente que você deve ter percebido que cada variável envolvida na construção do instrumento (madeira, técnica de construção, hardware, captação, etc etc etc) merece uma enciclopédia a parte. E aconselho um aprofundamento do tema. Mas como a proposta aqui se remete a transmissão de parâmetros gerais que vão nortear sua pesquisa, segue um artigo MUITO INTERESSANTE . Esse texto foi extraido do site "Stratocaster: O Som, A Lenda" de responsabilidade de Alexandre de Andrade Leite, que está de parabens pela qualidade do trabalho (Se você quer saber mais sobre a Fender Stratocaster de forma rápida e leve, esse é um bom lugar pra visitar).
Como foi dito antes, a Fender Stratocaster e a Gibson Les Paul traçam as características aproveitadas no universo da guitarra elétrica, acirrando polêmicas. O autor do texto que se segue demonstra uma extrema imparcialidade em elencar as características básicas dos modelos em apreço, contribuindo em muito para elucidar a questão de definir por qual instrumento optar (... ou não optar). Vamos ao texto, então.


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Fender X Gibson
(por Alexandre de Andrade Leite)

"Qual é a melhor guitarra do mundo?". Se você é guitarrista, certamente já deve ter se perguntado isso. Esta dúvida assola principalmente os iniciantes. Porém, dentro de todo o leque de opções de guitarras possíveis, geralmente a disputa acaba promovendo como finalistas os dois mais tradicionais modelos de guitarra do mundo: a Fender Stratocaster e a Gibson Les Paul.

Antes de mais nada, vale ressaltar que ambos os modelos são magníficos, o que não será constestado pelo autor deste site puramente pelo fato de ele ter dedicado este espaço todo para falar da Stratocaster. Responder qual é a melhor guitarra do mundo, a meu ver, é uma incoerência. Não dá para se estabelecer uma e pronto, principalmente porque uma análise deste tipo deve levar em conta algumas considerações como, por exemplo, o gosto pessoal do guitarrista e o tipo de som que ele pretende extrair da guitarra. Além disso, deve-se pensar que Stratocaster e Les Paul são, antes de mais nada, referências de som, havendo ainda no mundo milhares de modelos de guitarras que optaram por utilizar de misturas destas características para produzir uma sonoridade própria. Desta forma, este comparativo se dará muito mais no sentido de apontar as características e peculiaridades dos modelos, sem, no entanto, tentar elevar uma das duas guitarras ao posto de melhor ou de pior. Então vamos às diferenças:

A primeira característica que distingue a Strato da Les Paul está em seus captadores. No modelo Stratocaster original são três single-coil. Este tipo de captador apresenta seis imãs independentes, e sua sonoridade é bastante estalada, com agudos penetrantes e grande emissão de harmônicos. É bastante indicada para timbres suingados e bases limpas. Uma grande desvantagem deste tipo de captador é a sua alta emissão de ruídos. A Les Paul, por sua vez, salvo algumas exceções, apresenta dois captadores tipo humbucker, também conhecidos (erradamente, pois trata-se de um único captador) como captadores duplos. Este tipo de captador tem o imã maior e mais pesado que os single coil, de forma que sua sonoridade é mais robusta e encorpada. Há os que chamem o som dos humbucker de "mais gordo". Em outras palavras, um humbucker é um captador mais potente. Um outro ponto positivo deste tipo de captador é que ele não emite os ruídos característicos dos single-coil. Por estas e outras, é usado largamente em guitarras modernas, como as Ibanez e as Jackson, chegando a equipar também alguns modelos de Statocaster mais recentes.

Por apresentar três captadores, e também pela sua grande possibilidade de chaveamentos e combinações de captadores, a Strato é uma guitarra muito mais versátil que a Les Paul, sendo desta forma utilizada por músicos de vários estilos diferentes. Um fator positivo da Les Paul, no entanto, é o seu grande potencial de controle de som, tendo ela controles de tom e de volume independentes para cada um dos captadores. Além disto, ela possui uma chave seletora de três posições de captadores. A Les Paul tem como característica sonora uma maior sustentação da nota, o que, aliado aos seus captadores, a torna uma guitarra mais recomendada para o uso de distorção, sendo largamente utilizada em vários segmentos do rock. Mas, devido a estas características, é uma guitarra muito pesada, o que é um agravante para seu uso contínuo.

No quesito anatomia, a Stratocaster dá um banho. Com seus cortes chanfrados e design mais ergonômico e leve, é mais confortável de ser tocada. A Les Paul, por sua vez, é menos anatômica, e em decorrência disto, menos confortável, porém tem um braço bastante macio e leve de tocar. Alguns guitarristas, como é o caso de Ritchie Blackmore, escalopavam (escavavam) o braço das suas guitarras Strato a fim de realizar algumas técnicas como ligaduras e bends com mais facilidade.

A versatilidade da Stratocaster está presente também em seu desenho. Por sua anatomicidade, e também por sua facilidade de "ser envenenada", é a guitarra mais vendida e copiada do mundo. Para se ter uma idéia, para conseguir características sonoras efetivas numa Strato, basta trocar seus captadores. Há inclusive captadores como o modelo Hot Rails, da Seymour Duncan, que funcionam como um humbucker ocupando o espaço de um single-coil. Por outro lado, é muito difícil ver guitarras Gibson equipadas com single-coils, ou com características sonoras semelhantes às de uma Strato (a não ser pelo uso de defasadores, como os sistemas push-pull, a exemplo do usado por Jimmy Page, do Led Zeppelin).

Em suma, ambas as guitarras apresentam características bem diferentes, o que torna impossível uma comparação justa, até porque não estão sozinhas no mundo; apenas vieram primeiro, indicando o caminho para todas as outras guitarras que estavam por vir. Não podemos esquecer que há guitarras excelentes (e caras) como as PRS(Paul Reed Smith), por exemplo, que conseguem reproduzir muito bem timbre tanto de um Stratocaster quanto de uma Les Paul numa única guitarra. Nem por isto, estas guitarras se tornam unanimidade entre músicos. Aliás, como já diziam os sábios, toda unanimidade é burra. Tudo depende do guitarrista, e do que ele procura. Eddie Van Halen, guitarrista que revolucionou o mundo da guitarra com suas técnicas e inovações para o instrumento, ao explicar o modelo de guitarra que utilizava em 1978, quando sua banda estourou, definiu: "Eu queria um som de Gibson, mas com o vibrato da Strato". O próprio guitarrista que aqui vos escreve, embora não seja lá grandes coisas, passou por uma situação destas. Minha primeira guitarra foi uma Squier Stratocaster que, embora a marca engane um pouco, era excelente, pois se tratava de um modelo comemorativo dos 50 anos da Fender, e era toda bonitinha e bem acabada, além de ser do modelo Standard, diferente daquela Squier Affinity lixo, que é a mais conhecida por aqui. Me desfiz da guitarra (com um aperto enorme no coração), pois seu som não era muito exatamente o que eu queria: estava atrás de mais peso, mais sustain, aquele som gordo "que só uma Gibson podia me dar". Desta forma, troquei minha guitarra por uma Washburn, que tem o visual parecido com o da Strato e que tinha dois captadores single e um humbucker na ponte. Troquei o single do braço por um Hot Rails, da Seymour Duncan, e o humbucker por um outro SD, um JB-Trembucker, que tem o som mais seco (não entenda por isto pior) que uma Gibson, porém mais claro e nítido que o meu humbucker anterior. Atualmente a guitarra tem uma característica timbral bem do jeito que eu gosto, coisa que não conseguia com uma Strato normal, porém sem abrir mão do conforto do corpo, e ainda com a vantagem de ter aquele "suingue" do captador médio da Strato, que uma Gibson normal não tem.

Eu sei que não me propus a dar um ultimato nesta seção, e de fato não o vou fazer, mas ainda assim vou dar meu ponto positivo (relembrando que isto é apenas uma opinião pessoal) para a Strato, e vou usar a declaração de um guitarrista que admiro para sustentar isso. Ritchie Blackmore certa vez declarou o seguinte sobre a sua transição de uma Gibson para uma Strato: "Gostava do som dela. Rolava muito bem com um wah-wah, porque era bem agudo. Mas tive muitas dificuldades nos dois primeiros anos na transição da Gibson para a Fender. Com uma Gibson, você apenas corre para cima e para baixo, mas com a Fender, você tem que fazer cada nota cantar, ou ela não funciona. É mais gratificante - com a Gibson, ninguém tem uma identidade."




sexta-feira, 30 de março de 2007

Adquirindo Sua Guitarra 1 - Marcas e Modelos

Se você pensa em adquirir sua guitarra e se iniciar neste universo mágico, a primeira coisa a entender é a noção de MARCA-MODELO. Isso é essencial para levá-lo a uma boa aquisição. Vejamos um exemplo. O que é a Volkswagen? Uma MARCA de automóveis não é mesmo? E o Gol 1.8? Um MODELO de automóvel da MARCA Volkswagen. Assim é o mundo da guitarra. MARCAS E MODELOS lotam as prateleiras e são escolhidos de acordo com o que se quer fazer. Isso é bem importante: definir que som pretende produzir. Como isso fica no campo do pessoal, fiquemos na questão MARCA-MODELO SEM NO ENTANTO PRETENDER UM REVISÃO HISTÓRICA DO SURGIMENTO DAS GUITARRAS. Vamos ficar nos limites do “comercial”, ok? A primeira marca a explorar comercialmente a guitarra foi a FENDER. E o primeiro modelo a ir ao mercado de massa foi a TELECASTER, década de 50.









Essa é considerada a guitarra do Country. É muito apreciada pelos do estilo. É essencial aqui que você perceba o CAPTADOR da guitarra. Captador é aquele negócio que fica logo depois do braço, no corpo da guitarra e por baixo das cordas. Eles servem exatamente para o que diz o nome: captar a vibração das cordas e leva-la até o amplificador através do cabo (do fio). Note que no caso da Telecaster a captação é composta por apenas um captador (captador também é chamado de pick-up). Esse é o captador que a Fender criou. É o precussor do famoso “single coil
Logo após o lançamento da Teleca
ster a Fender joga no mercado sua obra prima. Falo da STRATOCASTER. Esse é o modelo que caracterizou o instrumento. Quando se pensa em guitarra o leigo pensa logo no modelo Stratocaster. É uma guitarra SUPER ANATÔMICA, que se encaixa no corpo do músico de forma perfeita. Ela vem com 3 captadores single coils. Agora veja que são 3 captadores com características diferentes. O que fica encostado na ponte (“ponte” é aquela peça de metal que segura as cordas e onde se prende a alavanca) chamamos “captador da ponte”. O que fica perto do braço da guitarra recebe o nome de “captador do braço” e o que fica no meio, TCHAAAAAMMMM, chama-se “captador do meio” ou “middle”. Cada um deles tem um SOM DIFERENTE. O da ponte tem o timbre mais "ardido". O do braço tem um timbre mais “fechado”, grave. O do meio tem o timbre intermediário entre os dois extremos (óbvio, óbvio). Tem uma chavezinha no corpo da guitarra que é usada para ligar e desligar os captadores. Se o guitarrista quer algo “rascante”, agudo, “gritante” ele põe a chavezinha para baixo de tudo. Deixa ligado somente o captador da ponte. Entendeu?
No caso da Stratocaster a chavezinha tem 5 posição.

1- liga o captado da ponte

2- liga o captador da ponte e do meio
3- liga o captador do meio

4- liga o captador do meio e do braço
5- liga o captador do braço


São cinco timbres diferentes então. E ainda tem os “knobs”. Knobs são os botões giratórios no corpo da guitarra. O primeiro ( de cima) é de volume. Os outros são de graves e agudos, tonalidade, portanto. Vamos a frente então. Pouco tempo depois a fábrica concorrente da Fender lança uma guitarra com intuito de conter o avassalador sucesso da Stratocaster. A fábrica chamava-se (e chama-se) GIBSON. O modelo lançado, a LES PAUL. Além do desenho ser diferente, a Les Paul apresentava outra característica muito própria. Seu timbre. Se liga para que o vem ai. Lembra do captador da Fender, o single coil? Pois bem. Eles tem um traço que é muito marcante. Eles “chiam” no volume alto. Isso mesmo. Um chiadozinho sempre presente. É o famoso “chiado do single coil”. Nunca corrigiram isso. Ficou como um traço do modelo single coil. Pois um engenheiro da Gibson resolveu solucionar o problema. Ele pegou dois single coils e ligou os dois um no outro. O primeiro captaria o som das cordas. E o segundo filtraria tudo retirando o chiado. Deu certo. Mas modificou o timbre. O timbre desse novo captador ficou mais FECHADO, PESADO, GORDO. Nascia o famoso HAMBUCKING ( ou hambucker). É o captador da Gibson. –hambucking (ou Hambucker) Como o corpo da Les Paul é mais pesado (8 kilos de madeira maciça) e somando o fato dos captadores Hambucking tornar o som mais “fechado”, os timbres da Les Paul são bem “pesadões” mesmo. Muitos que querem um rock mais impactante usam a Les Paul (ou seus captadores). O pessoal do jazz adotou a Gibson Lês Paul de imediato. Assim, TODAS AS GUITARRAS QUE VIERAM DEPOIS DA STRATOCASTER FENDER E DA LES PAUL GIBSON SÃO INSPIRADAS NESSES DOIS MODELOS. Eu disse TODAS. Pode ir ao mercado e cosntatar o fato.. Veja os desenhos das guitarras. Todos os designs se inspiram numa ou noutra. E os captadores também. Ou são single coils ou são hambuckings. Claro que hoje temos opções de misturar os dois. Muita gente (e quero fazer na minha) que possui stratocaster substitui um captador single coil (dos três originais) por um hambuking adaptado ao desenho strato. Assim ficamos com o melhor da Les Paul no desenho anatômico da strato (já que o desenho da Les Paul – a despeito de sua beleza – é super incômodo). Como forma de elastecer seus conhecimentos, vai um adendo. A Gibson lançou um modelo mais leve de guitarra ainda com o intuito de fazer frente as stratos. É a SG Gibson. Ela vem com dois hambuckers mas o corpo é mais leve.
O fato é que afora as guitarras acústicas e semi acústicas,
todas as outras guitarras seguem um modelo ou outro (Strato ou Les Paul). Claro que as fábricas criaram se
us próprios desenhos. Por exemplo , a Tagima T-Zero é um desenho próprio da Tagima ( o design T-Zero) . Mas observe bem e veja que o corpo se inspira na Strato. Quanto aos captadores, ela vem com uma mistura: um single coil no braço e um hambucker na ponte. Vamos ver outros modelos? Saca só esse modelo JEM, marca Ibanez. O design é de uma Stratocaster cagada e cuspida. Olhe os captadores. Dois hambuckers (ponte e braço) e um single coil no meio (middle). Por fim, um ultimo tema. A PONTE. Como foi dito, a Ponte é o que segura as cordas no corpo da guitarra. Basicamente temos dois tipos de ponte. A tradicional com tremolo e a floyd rose. Ponte Tradicional com Tremolo Repare que na ponte se prende a alavanca, essa haste de metal dependurada. Nesse tipo de ponte , quando vc pressiona a alavanca para baixo, a ponte vem para frente e folga as cordas. Se vc pressiona repetidas vezes e rapidamente o som “treme”... É o tremolo. Mas aí inventaram a famigerada “Floyd Rose” ou ponte Flutuante. Veja a imagem A diferença é que ela fica solta. Explico. Se vc empurra a alavanca para baixo as cordas afrouxam. A diferença entre essa e a outra ponte é que essa VC PODE PUXAR A ALAVANCA PARA CIMA TAMBEM. Ao invés de afrouxar as cordas , feito isso – puxar para cima – as cordas TENSIONAM MAIS AINDA. Resultado som mais agudo, gritado. Essa ponte possibilita mil efeitos. O Steve Vai é o mestre no uso dessa ponte. Posso trocar a ponte de minha guitarra.? Claro que sim. A gente chama “customizar”. Isso é, envenenar a guitarra de acordo com o gosto. Na minha strato quero colocar uma ponte floyd rose, um captador hambuker e uma trava no braço para prender as cordas e evitar que desafinem facilmente. Bom, é mais ou menos isso ai. Ficou de fora um monte de coisa. Mas isso é para outra vez e quando vc estiver já com a guitarra em mãos. E vamos as compras... Abraços